Foto: Unsplash | Caleb Woods

Por Rosane Castilhos, mãe, artista plástica e Educadora Parental.

“Então descresça.”
Tenho obedecido essa ordem. Estou escrevendo um texto sobre me sentir infinita e carregada de possibilidades.  De verdade, é assim que tenho me sentido. A propósito sentir-se é algo maravilhoso. Diante de algumas coisas que a vida tem me mostrado, eu escolho mesmo é descrescer. voar sem asas, e me jogar feito criança nas aventuras do desconhecido, ou melhor, do ainda não visto, ouvido e vivido. Tenho andando sem medo (o que não anula a ansiedade, nem alivia o frio na barriga e o coração na boca. ainda bem). O medo até passa perto, me rodeia, me espreita, mas não tem me travado.
Que a gente dança todo o santo dia eu já falei, mas que eu tenho dançado num amar-se sozinha eu ainda não tinha contado. Os filhos e o pai-marido foram pra natação. Eu coloquei o ABBA e me acabei de dançar. Iniciei meu sábado cuidando de mim mesma. Escutei minha voz interior e ela me disse: larga tudo: livros, casa, estudos, feira e alimenta-te do que tem fome nesse momento. Talvez mais tarde eu me perca no tempo, talvez eu tenha que apressar meu passo, mas não me arrependo de ter olhado pra dentro de mim e feito o que meu corpo e minha alma pediam. Dancei e cantei (de pijama ainda) como se não houvesse amanhã. Descresci. Subi numa mesa da sala. o controle da tv fez as vezes do microfone. Enlouqueci no melhor sentido que a palavra pode ter. E depois desse balacobaco e ziriguidum todo eu vou ali tomar um banho e depois cuidar do meu trampo. Daqui a pouco tem gente pequena e grande chegando e meu desejo agora é ficar grudadinha neles.
Em outubro farei algumas rodas de conversa. Duas delas vão ser sobre autocuidado, sobre esse que vem de dentro, esse que não se alarga apenas com uma ida ao salão de beleza ou com um vale night, coisas pra lá de boas também, mas nem sempre possíveis. A gente vai conversar sobre o autocuidado que faz primeiro um movimento interno, pra depois externar o amor próprio e o autorrespeito que nos fortalecem e que nos mantém num ciclo salutar. Meu desejo pra essas rodas é quase um plágio dos escritos da Wirgínia Wolf: acho que a gente vai poder escrever um romance com o silêncio, com as coisas ainda nunca ditas até ali.