Foto: Patrícia de Sá

Amamentei Olívia por 2 anos e 7 meses, uma grande vitória para nós. Passei pelos percalços que a grande maioria das mães vivenciam – dos desafios a cada pega, da dor nas primeiras mamadas, das fissuras e das noites mal dormidas – para transformar um ato considerado natural – e muitas vezes, difícil – em um momento único, íntimo, uma conexão só nossa, resultado de muita dedicação.

A amamentação foi a minha grande frustração nos cuidados com a minha primeira filha, Cecilia. E esta história falha começa antes mesmo da minha primeira gestação. Em uma consulta rotineira qualquer, ainda adolescente, uma ginecologista me disse que eu teria dificuldades para amamentar, pois teria o “bico invertido”. Realmente, eu nunca tive o bico proeminente, mas esta informação equivocada me fez internalizar aquilo e duvidar de minha capacidade. Durante o pré-natal de Cecilia, a minha GO não me orientou quanto à amamentação. Resolvi fazer um curso particular e a enfermeira me disse que talvez eu conseguiria, mas dependeria de “n” fatores, também fisiológicos e psicológicos.

Confesso a vocês que passei os nove meses “encucada”, e por conta disto, me cerquei de apetrechos impeditivos para uma boa pegada – bico de silicone, chupetas e mamadeiras, por exemplo. Lembro-me das diversas tentativas para colocá-la para sugar, filha chorando e a mãe estressada. E assim foram se passando os dias, sempre muito cansativos, até o fim da licença maternidade e a volta a uma rotina de mais de 10 horas de trabalho diárias – que em nada contribuía para incentivar a amamentação. Foram vários dias me culpando com muitos “e se eu tivesse feito isso”, “e se eu não tivesse feito aquilo”….

Quando me descobri grávida pela segunda vez, resolvi encarar tudo com mais leveza. Busquei novas informações, conversei com muitos profissionais, segui as orientações da minha (nova) GO e da pediatra para conseguir amamentar – se fosse possível – com tranquilidade. E se não fosse, prometi que não me culparia. As dores dos primeiros dias, as mordidas da bebê com 6 dentinhos, e as noites mal dormidas não diminuíram o meu carinho especial por este momento. Foi muito prazeroso saber que estávamos ali. Que éramos apenas eu e ela. Me orgulho em saber que naquele momento provi os nutrientes mais importantes para que ela cresça saudável. Mas, não foi fácil. Muito pelo contrário. Além dos percalços já relatados, lidei com a pressão pelo desmame – não é raro escutar de familiares próximos que ela ficará “mimada”, pois ainda mama; ou que ela chora porque só quer “peito”- e até preconceito, não foram poucas as vezes em que escutei um “nossa, mas ela ainda mama deste tamanho!?”.

Esta minha nova experiência positiva é resultado de uma mudança de atitude, por isso, se você também pretende permitir uma amamentação prolongada a seu filho é importante que tenha confiança em si mesma.

Além disso, vale saber que:
– o alojamento conjunto na maternidade é incentivador para o aleitamento;
– chupetas, bicos de silicone e mamadeiras interferem no aleitamento, pois o bebê tende a confundir os bicos;
– o estresse pode ser prejudicial na descida do leite;
– não existe leite fraco;
– não existe esta história de que seio pequeno produz menos leite;
– a sua alimentação interfere no aleitamento, tenha consciência;
– preste atenção no bebê quando estiver amamentando;
– se você deseja permanecer amamentando após o fim da licença de trabalho, assim o faça. Siga o seu coração ♥︎

Semana Mundial do Aleitamento Materno

A SMAM é considerada como veículo para promoção da amamentação. Ela ocorre em 120 Países e é celebrada de 1 a 7 de agosto. A Aliança Mundial de Ação pró-Amamentação (WABA) define, a cada ano, o tema a ser trabalhado na SMAM.

O Na pracinha apoia a ideia. Apoie você também!
#smam2018

Outros textos sobre Amamentação em nosso site (clique no título para ler o texto):
Amamentação na real – por Marina Martins, enfermeira e consultora de amamentação
Aleitamento materno exclusivo: como aumentar sua duração? – por Marina Martins, enfermeira e consultora de amamentação
As ciladas da amamentação – por Marina Martins, enfermeira e consultora de amamentação
Amamentando pela segunda vez  – por Miriam Barreto, idealizadora do Na pracinha
A língua e seu papel na amamentação – por Mônica Barreto, odontopediatra e Tatiana Vargas, fonoaudióloga
A amamentação e os dentinhos – por Mônica Barreto, odontopediatra
Deixe a mamãe amamentar em paz – por Alice Carvalhais, nutricionista