Foto: Unsplash | Alicia Petrescu

Frequentemente misturamos o comportamento da criança com quem ela é. Definimos a personalidade dela pelas suas ações e não nos damos conta de que elas absorvem isso e vão criando crenças sobre elas mesmas. Na verdade quando olhamos para a nossa história de infância, vamos também identificar várias crenças a respeito de nós mesmos que fomos absorvendo e construindo a partir do que nos disseram sobre nós.

Que tal se explorarmos isso um pouco melhor?
Quando falamos com a criança:
“Você é muito desobediente, não presta atenção em nada do que eu falo.”

O que ela pode estar interpretando sobre ela mesma:
“Eu sou muito desatento e não consigo seguir as ordens.”

Mais um exemplo:
“Meu deus como você é bagunceiro e desorganizado, tudo seu é desse jeito.”
“Eu sou desorganizado e não consigo colocar minhas coisas em ordem.”

Uma vez que vamos construindo nossas crenças sobre nós mesmos elas vão se tornando as nossas verdades, o nosso modo operante, porque acreditamos fielmente naquilo, ainda mais tendo vindo de alguém que nos conhece e que é referência para nós.
Na vida adulta, ao ter que lidar com os desafios da vida pessoal e profissional, muitos de nós passamos a questionar essas crenças internas e a buscar apoio de profissionais que possam nos ajudar a quebrar essas crenças e a superá-las. Claro que nossas crenças sobre nós mesmos não são construídas apenas pela interferência dos nossos pais. Professores, Sociedade, Amigos, todos colaboram com isso. Mas sabemos que aquelas que vêm dos nossos pais são fortes, pois confiamos no que eles dizem.
Também não estou dizendo com tudo isso que os nossos pais, ou mesmo nós na figura de pais, temos que mergulhar em culpa e vergonha por reconhecer isso. Absolutamente não. Estamos sempre buscando dar nosso melhor! Estar vulnerável e cometer deslizes faz parte de todo processo humano.
Estou trazendo à tona esse tema para que a gente possa fazer um exercício de conscientização, expandir a nossa consciência e observarmos mais as nossas palavras com as crianças.
O mais importante dessa reflexão é buscar separar a criança do comportamento dela. Para que possamos falar da atitude, do comportamento, do que ela fez ou faz e não sobre quem ela é.

Exemplos:
“Você é uma pessoa maravilhosa, essa atitude é que não foi legal.”
“Eu te amo como você é, o comportamento é que precisamos fazer ajustes.”

São mudanças sutis na nossa forma de nos comunicar que fazem toda diferença para a criança nas interpretações. À medida que vamos ampliando a nossa consciência vamos cada vez mais separando a criança do comportamento dela e não usando isso como uma definição rigorosa de quem ela é. Talvez não seja uma mudança tão rápida porque estamos muito conectados nos nossos padrões de comunicação, mas basta começarmos a movimentar a mudança dentro de nós que logo ela estará em piloto automático.

O que você achou sobre essa reflexão?
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