Foto: Duorama

 

Ela passou algumas horas aquietada. Emudecida em uma falsa quietude, na verdade. No final da tarde, se aproximou “eu não gosto de História mesmo”. Tínhamos lido sobre as escolas do passado e como as crianças eram tratadas: castigos, palmatória, “orelha de burro”, divisão de classe e tantas coisas que parecem realmente bem distante do hoje. Aquilo não fez sentido algum para ela. “Sinto pelas crianças, mamãe”, “por que tenho que aprender sobre coisas tristes?”
Cecília é assim.

Sua atitude compassiva, permite com que sinta além do que os olhos veem ou os ouvidos escutam. Ela é reparadora. Os sentimentos reverberam em sua cabeça e provocam inúmeras questões. Ela chora, muito. De felicidade. De tristeza. Demonstra sua vulnerabilidade. Percebe nuances que não são vistas por muitos. Ela pensa no outro. Se coloca disponível. Empática sem entender o conceito. Cecília é singular. “Imatura pra idade”, “ensine as durezas da vida pra ela”, “é muito boazinha, os outros irão se aproveitar” – foram alguns dos “conselhos” que já ouvimos.

Prefiro olhar para ela como uma criança que sente o mundo e os outros na intensidade dela. De forma diferente? Talvez. Singular? Com certeza.
Não quero apressar as mazelas da vida. Pensar em “padronizá-la”, para mim, é um desrespeito com quem ela é. A vida é um aprendizado e suas escolhas indicarão o caminho a seguir. De forma livre.

É sobre a criança que ela é, a minha motivação para o próximo Entre Nós.
Vamos conversar sobre rótulos e padrões que estamos impondo às nossas crianças. Nosso encontro será domingo, 16, às 9h, com Ana Holanda , editora-chefe da revista Vida Simples; Adriana Di Mambro, psicóloga e pesquisadora da infância; da Juliana Sartorelo, médica especialista em Clínica e Toxicologia; e da Letícia Fernandes, pedagoga.

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