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Convido você a falarmos sobre a confiança que temos nos nossos filhos, nas nossas crianças. Quando estou falando sobre a possibilidade de fazermos perguntas, conversarmos com as crianças, oferecermos escolhas e, assim, aplicar algumas estratégias e ferramentas da disciplina positiva, pensando nessa lógica da educação com respeito, da educação positiva, sei que ainda se trata de um desafio para nós, adultos.

Às vezes é difícil confiar que as crianças são capazes de trazer soluções respeitosas, de cooperar, de resolver um problema em conjunto com outras crianças quando perguntamos ao invés de mandar — e, assim, transferimos a confiança de que são capazes de resolver sozinhas.

Mas, eu tenho uma boa notícia. Deparo-me com vários pais que depositam confiança nas suas crianças e relatam: “eu já experimentei isso, eu já me conectei com isso, e realmente funcionou muito”. Da mesma forma, também dizem que não funcionou em outras vezes. A pergunta principal é: qual o caminho para a educação positiva surtir o efeito desejado?

Educação positiva requer persistência: apenas confie

Alguns pais se abraçam ao ciclo vicioso do pessimismo e na ausência de confiança no seu filho: “mas o meu filho nunca vai responder isso”, “o meu filho não vai ser capaz”, “eu acho que uma criança pequena não dá conta de responder isso”. Veja só, tudo bem ficarmos na dúvida sobre a eficácia dessas estratégias; isso realmente não é um problema, principalmente quando estamos começando.

No início do aprendizado da educação positiva, duvidamos se daremos conta, principalmente porque, às vezes, experimentamos e simplesmente não dá certo. O fato é que a criança vai precisar de um tempo para absorver essa nova educação, assim como a gente. E, normalmente, ficamos ansiosos por resultados imediatos.

Todas essas construções podem funcionar de primeira, mas ainda assim vamos precisar  repetir, repetir e repetir.

Você confia nele e ele confia nele mesmo

Por trás disso tudo, está a nossa confiança em relação à criança, ou seja, o quanto eu confio e acredito que ela será um ser potente, inteligente, esperto, capaz, altruísta, cooperativo, envolvido, engajado em trazer soluções, e responder quando eu faço uma pergunta — isso inclui uma criança mais nova, que ainda não fala, mas que responde de diferentes maneiras.

Então como está a nossa confiança na capacidade das crianças? Essa é minha pergunta de hoje. Por que é importante refletirmos sobre isso? Por que quando a gente demonstra confiança nos nossos filhos, eles desenvolvem coragem e confiança neles mesmos. Aí mora o segredo! Eles precisam sentir que confiamos neles para que possam confiar em si mesmos e desenvolver autoconfiança, auto-segurança e coragem.

Motive a sua criança com a educação positiva

Quantas vezes já dissemos para os nossos filhos: “eu acredito que você dá conta disso, eu acredito que você pode fazer, eu acredito que você sabe, eu te escuto, eu te pergunto e acredito que você sabe a resposta”?. Quantas vezes validamos os sentimentos da criança mostrando para ela que acreditamos no seu sentimento, porque em algum momento da vida já nos sentimos daquela forma também?

Quantas vezes dizemos para elas: “olha eu confio que você é capaz de resolver esse problema, de encontrar soluções respeitosas juntos, e estou aqui do lado, para ouvir a resposta, pronta para abraçar as soluções que vocês têm”?. Quantas vezes trazemos um combinado para fazer com que a criança confie e cumpra aquele combinado?

Ou a gente já trás o combinado achando que ela não vai cumprir porque nos lembramos das outras vezes que isso aconteceu… Isso porque estamos presos ainda na ideia de dar certo naquele momento, na hora que a gente quer, do jeito que a gente quer. Então, que possamos abrir nossos corações pra essa confiança nas crianças, no tempo, no ritmo, e mais ainda, a confiança no movimento que estamos realizando.

A confiança é a base de tudo

Se estamos fazendo o movimento de trazer uma educação com respeito, de buscar estratégias da disciplina positiva, precisamos confiar que isso vai dar certo. É uma escolha, existem milhares de outras opções de educação, mas se estamos escolhendo essa, temos que confiar nos princípios dessa educação e em desenvolver habilidades de vida e sociais nas nossas crianças.

Meu convite pra você, hoje, é confiar no seu filho, na sua filha, nas suas crianças, confiar na educação que você escolheu e em suas respectivas estratégias aplicadas. Além de tudo, confie em si mesma, tá bom? Um beijo,

Com amor, Mari.