Foto Rosane Castilhos

Por Rosane Castilhos, mãe, artista plástica, educadora parental (PDA) que gentilmente nos autorizou a reproduzir seu conteúdo inspirador ♥︎

Uma pessoa, ao saber da nossa história, me perguntou se eu não senti falta de carregar um bebê na barriga. Ontem a noite fiquei olhando para meu filho que insiste em começar o sono na nossa cama e só depois vai para a sua. Depois fui olhar a filha que já dormia, fiquei pensando no amor que sinto por eles, um amor gigante, que transformou a minha vida, um amor que chegou sem barriga crescendo, sem filho se mexendo no ventre, sem bolsa rompida e sem cordão umbilical. Eu não vivi tudo isso, mas vivi outros sentimentos.

Me tornei mãe de outro jeito. Deve ser incrível sentir um filho crescendo dentro da gente, mas é absolutamente maravilhoso sentir um filho chegando na sua vida sem estar morando dentro de ti. Eu os amei assim que os vi. Depois o amor foi se transformando em laços profundos, em cada choro, troca de fraldas, perrengue, cada beijo, cada frase e fase. O vínculo era e é construído todos os dias, assim como quem gera um filho também precisa construir.

Quem espera por uma adoção fica gerando seus filhos nesse período. A gente fica imaginando como eles serão. Fica sonhando com seus traços e com seu jeito. A diferença é que na espera pela adoção você não está no comando da história. A história já existe. Pode estar no começo, um pouco mais pra frente, não importa. Seus filhos podem ter vivido muitas coisas das quais não se fez parte, mas posso afirmar que é lindo reescrever a vida com eles, é lindo contemplar o que eles já viveram, respeitar, honrar o caminho até ali. É como romper o cordão, mas não cortar a rede sanguínea. É amar sem certeza alguma de que as semelhanças virão. É desafiar a lógica, a ciência, a biologia e a química. É confiar e saber que a maior força do mundo é o amor.

Eu não sinto falta nenhuma de não tê-los carregado na “barriga”, outra mulher carregou pra mim, honro isso. Carregar é lindo, mas a entrega é o grande acontecimento. Eles me foram entregues e eu me entreguei a eles, de peito escancarado e com os olhos brilhando de tanta vontade de dividir, multiplicar e somar as nossas vidas. Eu não os gerei, mas os esperei tanto. Eles nasceram para nós no tempo certo, no lugar certo, na vida certa. Não sinto falta de nada, só sinto amor.