Foto: Tant Mar Fotografia

“Minha vida é correria, eu nunca paro de ter pressa.
Eu me sinto mesmo a bordo de um foguete pelo ar
Pare, pra pensar
Pare, respirar”
Música “Correria” do grupo Coração Palpita

O cotidiano tem nos feito vivenciar a rotina em modo automático. Nossas crianças nos acompanham nesta correria, muitas vezes sem serem vistas ou ouvidas. Tentamos responder às suas perguntas e às mensagens do celular ao mesmo tempo. Procuramos até mesmo sentar para brincar, sem deixar de lado o aparelho, de olho nas notificações, ou a TV ligada para já se inteirar do que acontece pelo mundo. Até a ida à pracinha tem sido na companhia de uma tela. Trocamos a nossa presença junto aos pequenos pela companhia dos tablets e smartphones.

E as crianças sentem. Podemos não perceber agora, mas a longo prazo, essa presença ausente grita de alguma forma – seja em comportamento, seja fisiologicamente. As mensagens instantâneas não vão parar de apitar no celular. Já o olhar e as perguntas espontâneas dos pequenos, um dia não estarão mais ali. Se você perguntar a seu filho sobre um dia feliz, certamente ele se lembrará de algum momento em que vocês brincaram juntos.

É sempre possível mudar. Quero te propor que comece este movimento: que tal desconectar para se conectar com quem realmente importa? É possível ajustar alguns pontos para termos controle do nosso tempo e nos aproximarmos mais dos nossos filhos.

– Faça um planejamento prévio de sua rotina diária e semanal. “Consigo parar quanto tempo depois do trabalho para me dedicar a ele? E no final de semana?”” Se for preciso, coloque na agenda e “bloqueie” esse período.

– Quando a brincadeira começar, desligue – de verdade – o celular (ou coloque no silencioso, esconda no armário, desapareça com ele dentro da bolsa).

– A TV ligada atrapalha. Seja sintonizada no noticiário, ou em episódios de seriado. Esteja realmente com a criança.

– Se você trabalha em casa, planeje pausas para o brincar ao longo do dia. Vale também envolver a criança em algumas tarefas cotidianas de forma lúdica.

– Deixe a criança se sujar, testar os limites, fugir do convencional, mudar a rotina, bagunçar. Muitas vezes, podamos o potencial criativo por insistir no nosso jeito de fazer as coisas. Não há nada que não possa ser limpo e organizado outra vez.

– Deixe a criança guiar a brincadeira, evite interferir no faz de conta de forma a “moldar” o comportamento ou respostas esperadas. Incentive a sua criatividade!

– E, por fim, vale reforçar o seu sentimento por estarem brincando juntos, de forma simples e direta: “estou muito feliz por estar passando esse tempo com você, meu filho”, ou “uma das minhas horas preferidas do dia é quando sentamos para brincar aqui na sala, você sabia?”, ou ainda: “eu adoro vir ao parque com você, devemos fazer isso sempre. Você também gosta?”

Vamos juntos?