Foto: Rodrigo Cabido

De tanto ver o Sítio do Pica Pau Amarelo na televisão eu passei a ter certeza de que o Saci existia. Escrevia redações sobre ele e vivia meio decepcionado porque não havia bambuzais perto da minha casa.

Da Cuca eu duvidava, mas o Saci? Claro que existia. Ficava de olho em redemoinhos e tinha até uma peneira escondida no quintal.

Em noites de lua cheia eu sempre voltava para casa mais atento, descobrindo assustado olhos de lobisomens nas sombras do mato que ficava de frente para o nosso portão.

Claro que hoje sou homem adulto e lendas não me assustam. A mudança para um espaço mais urbano, juntamente com a idade, me fizeram perceber a tolice de imaginar a Iara na Lagoa da Pampulha ou boitatás no Parque das Mangabeiras. Se passo em algum bambuzal, me preocupo mais com cobras do que com sacis.

Mas, confesso, às vezes quando preciso caminhar até meu prédio de noite e ouço movimentos estranhos em algum lote vago ou pedaço de mata, espero para confirmar se é mesmo um cavalo ou cachorro. E ainda assim, só fico tranquilo mesmo se a mula tiver cabeça e se o cachorro não for algum tipo de lobo.

Por mais racional que seja, por mais adulto, por mais seguro, o folclore ainda vive em algum lugar lá no fundo da minha mente. E às vezes, sem que eu me dê conta, interrompe a lógica com um longo uivo de arrepiar.

22 de Agosto é o Dia do Folclore, aproveita a data para contar uma lenda para as crianças!