Foto: Carolina Guimarães

“Quando minha filha Clara era pequena tivemos várias discussões. Sim, eu discutia com uma criança de 4, 5 anos. Ela queria usar bota em dias de verão, casaco e, se bobear, meia calça. Eu dizia que não era possível, estava quente. E ela insistia que iria de bota. Batia o pé que queria a bota ou o casaco de inverno. Eu fazia valer a minha vontade. Deixava claro de quem era a razão. Com o tempo, fui me dando conta de que a conversa que estabelecia não era sobre a Clara, mas sobre a Ana, sobre minhas dificuldades, minha vontade de fazer da Clara a minha boneca, a minha posse. Entendi que respeitar a Clara e vê la como uma menina com vontades e com voz fazia parte do processo de tirar a Ana do pedestal. E, a partir disso, passei a exercitar com ela conversas mais transparentes e honestas. Às vezes, eu ainda vejo o general (que me habita) vir a tona. Mas agora eu olho pra ele e digo “calma aí, amigo… não quero resolver as coisas dessa maneira”. Isso também não significa que não erro mais com a Clara e com o Lucas. A diferença é que, agora, eu me desculpo, admito minhas falhas (como ensinar isso para eles se me coloco infalível?). Sinto que essa nossa relação, cheia de erros e também de acertos, mas essencialmente mais transparente e que considera quem somos de verdade (sem roupa de super herói, sem capa da perfeição) está me ajudando bastante neste início de pré adolescência. Quando Clara muda o humor, do nada, já me peguei emburrando junto. E penso: “ei, quem é a adolescente aqui, dona Ana?”. Penso também que isso será um fio importante para conduzir nossa relação vida afora: com a Clara, com o Lucas, com nós três. E para que, no final de tudo isso, a gente se olhe e se reconheça além do altar que em geral os pais são colocados. Mas que a gente se olhe com profundidade, olho no olho, com amor e uma compaixão gigante diante da pessoa que somos.”- Ana Holanda, editora da Revista Vida Simples

Em agosto, conversamos com Ana Holanda sobre nossas emoções em uma roda presencial do Entre Nós. Foi tão potente, que teremos repeteco, agora online. Se faz sentido pra você, te convido a nos acompanhar na Jornada online pela maternagem autêntica, real e possível. Será no dia 26/11, das 20h30 às 22h, e conversaremos sobre Vulnerabilidade e Coragem nas relações com os filhos. É preciso se inscrever aqui, contribuindo com um valor amigo. Vamos juntas?