Desde a gravidez de minha primeira filha recebo com carinho peças usadas.  Meus dois filhos herdaram roupas e acessórios que pertenceram a filhos de amigos e parentes próximos. Nunca me importei em usar peças de segunda mão neles, pois eu também já usei muitas. Assim ainda, peças que eles usaram foram e são repassadas para outras crianças, seja para conhecidos ou para alguma instituição.
Quando minha filha estava com 10 meses, viajamos para um local muito frio. Surgiu a demanda de comprar peças adequadas para o clima. Então me ocorreram dois pensamentos reflexivos: (1) o alto investimento em peças que seriam usadas por um período muito curto e (2) a dificuldade em encontrar roupas quentes o suficiente em minha cidade. Foi aí que visitei pela primeira vez um brechó infantil.
Para minha surpresa, havia por lá diversos produtos e todos em excelente estado de conservação. Era possível montar um enxoval completo, composto inclusive de peças novas. Vi ali o potencial em me tornar não só cliente para compras, mas também vender peças para eles. Havia em casa peças no guarda-roupas que mal foram usadas, algumas nem chegaram a ir para o corpinho deles. E este parecia um excelente destino para elas, já que havia tanto demanda de peças menores por outras família, como também a minha necessidade de adquirir novas peças de tamanhos cada vez maiores de tempos em tempos.
A partir daí, passei a estar mais atenta a este nicho. Descobri que havia também pessoas que anunciavam pela internet, inicialmente por grupos fechados no Facebook e depois por sites especializados. E, à medida que fui vivendo experiências nos vários tipos de locais de venda, descobri as vantagens e desvantagens de cada um.
Os brechós eram uma ótima pedida, porque era possível trocar peças minhas por peças deles e alguns pagavam em dinheiro no ato de entrega da peça. Mas muitos pediam um tempo para a peça ficar consignada e isto tanto significava demora no pagamento, quanto a possibilidade da peça retornar para mim. As versões on-line de brechós eu ainda não trabalhei, mas elas também possuem a mesma desvantagem das lojas físicas: o valor que recebemos é menor que de venda da peça, pois há a cobrança (justa) de taxa de serviço.
Então, para peças que eu percebia um potencial de retorno rápido, optei por vender no Facebook. Menos tempo para receber e valor total embolsado. Foram boas experiências, mas também outros aprendizados. A questão da segurança, por exemplo. Ao vender diretamente, sem intermediários, você passa a ter contato com terceiros, e sabemos que no mundo de hoje há pessoas de toda índole. Graças a Deus nunca tive problemas, mas fica sempre a sensação de permanecer alerta. Há ainda pessoas que manifestam interesse, não cumprem com sua palavra e, assim, ficamos com o produto encalhado ou preso.
Optei por fim em a cada nova experiência pensar em todos os prós e contras para escolher o melhor para cada peça. Algumas vendo diretamente pelos grupos, outras repasso às lojinhas.
Ano passado, porém, vivi uma experiência diferente. Quando o meu segundo filho ficou maiorzinho, várias das roupas, mantas e acessórios de recém-nascido e primeiros meses precisavam ser encaminhadas. Não havia mais a perspectiva de “guardar para o próximo bebê”. Ao mesmo tempo, a questão financeira começou a ficar um tanto apertada com as despesas de duas crianças em casa e uma mãe trabalhando em carga horária reduzida. Havia ainda o sonho de fazer uma singela comemoração de aniversário para o caçula. Eu queria vender os produtos mas ficar com todo o lucro, sem perder muito tempo com negociações virtuais e sem medo de receber estranhos em minha casa. Foi aí que optei por fazer um mini bazar, colocando fotos em um álbum no meu próprio perfil para meus amigos do Facebook. Escolhi apenas as peças de melhor conservação e estipulei preços atrativos, realistas. E qual não foi a minha surpresa de um retorno excelente. Não só amigos com crianças se interessaram, mas também alguns sem filhos que queriam presentear alguém. Foi assim que consegui a soma suficiente para patrocinar um pequeno café da manhã em casa para poucos convidados. Minha felicidade foi enorme em não só conseguir bancar o evento, como também perceber o quanto os meus amigos ficaram felizes em poder contribuir no bazar e adquirir bons produtos.

Estes quase quatro anos de vivências de compra e venda de usados me trouxeram muitas reflexões. É bacana perceber que podemos contribuir para um consumo consciente, fazer economia, ajudar no orçamento e ainda ensinar valores para meus filhos. Ainda doo a maior parte de seus pertences, pois acredito na importância de fazer as peças circularem sem eu esperar apenas retorno delas. Enfim, aos pouquinhos, vamos fazendo as crianças se tornarem cidadãos de bem, que vivenciam o dar e receber de maneiras diferentes, sem estarem só observando o consumismo exacerbado por parte de seus pais.

Confira a lista de brechós infantis em Belo Horizonte neste link