Foto: Mauricio Vieira
Foto: Mauricio Vieira

“Minha vida é correria, eu nunca paro de ter pressa.
Eu me sinto mesmo a bordo de um foguete pelo ar
Pare, pra pensar
Pare, respirar”
Música “Correria” do grupo Coração Palpita

O cotidiano tem transformado a nossa rotina em modo automático. Nossas crianças nos acompanham nesta correria, muitas vezes sem serem vistas ou ouvidas. Tentamos responder às suas perguntas e às mensagens do celular ao mesmo tempo. Procuramos até mesmo sentar para brincar, sem deixar de lado o aparelho, de olho nas notificações, ou a TV ligada para já se inteirar do que acontece pelo mundo. Até a ida a pracinha é na companhia de uma tela. Trocamos a nossa presença junto aos pequenos pela companhia dos tablets e smartphones.

E as crianças sentem. Podemos não perceber agora, mas a longo prazo, essa presença ausente grita de alguma forma – seja em comportamento, seja fisiologicamente. As mensagens instantâneas não vão parar de apitar no celular. Já o olhar e as perguntas espontâneas dos pequenos, um dia não estarão mais ali. Se você perguntar a seu filho sobre um dia feliz, certamente ele se lembrará de algum momento em que vocês brincaram juntos.

Já que começamos um novo ano, queremos propor uma pequena mudança, uma nova meta. Que tal desconectar para se conectar com quem realmente importa? É possível ajustar alguns pontos para termos controle do nosso tempo e nos aproximarmos mais dos nossos filhos.

– Faça um planejamento prévio de sua rotina diária e semanal. “Consigo parar quanto tempo depois do trabalho para me dedicar a ele? E no final de semana?”” Se for preciso, coloque na agenda e “bloqueie” esse período.

– Quando a brincadeira começar, desligue – de verdade – o celular (ou coloque no silencioso, esconda no armário, desapareça com ele dentro da bolsa).

– A TV ligada atrapalha. Seja sintonizada no noticiário, ou em episódios de seriado. Esteja realmente com a criança.

  • Se você trabalha em casa, planeje pausas para o brincar ao longo do dia. Vale também envolver a criança em algumas tarefas cotidianas de forma lúdica.
  • Deixe a criança se sujar, testar os limites, fugir do convencional, mudar a rotina, bagunçar. Muitas vezes, podamos o potencial criativo por insistir no nosso jeito de fazer as coisas. Não há nada que não possa ser limpo e organizado outra vez.

– Deixe a criança guiar a brincadeira, evite interferir no faz de conta de forma a “moldar” o comportamento ou respostas esperadas. Incentive a sua criatividade!

– E, por fim, vale reforçar o seu sentimento por estarem brincando juntos, de forma simples e direta: “estou muito feliz por estar passando esse tempo com você, meu filho”, ou “uma das minhas horas preferidas do dia é quando sentamos para brincar aqui na sala, você sabia?”, ou ainda: “eu adoro vir ao parque com você, devemos fazer isso sempre. Você também gosta?”