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Segundo Jane Nelsen, doutora em Educação e autora de uma série de livros sobre Disciplina Positiva, atrás de todo comportamento da criança há uma necessidade. Identificá-las nem sempre é uma tarefa simples para os pais e cuidadores, pois as necessidades podem ser tanto no âmbito físico quanto no emocional. Quando se trata de algo fisiológico, reconhecer e solucionar fica mais fácil, pois se está com fome, come, se está com sede, bebe, se for sono, dorme. Quando falamos das questões emocionais, identificá-las se se torna mais complexo, mas a maioria pode ser solucionada de forma simples.

O nosso aparelho psíquico é muito perfeito e aquilo que não damos conta de enfrentar vai para uma gaveta chamada inconsciente. E fica ali guardado, esperando uma brecha para vir à tona. O que não significa que quando essa questão que nos incomoda retornar, terá uma forma clara e de fácil compreensão. Por isso, quanto mais velha é a criança mais difícil se torna identificar a real necessidade atrás de um comportamento. Pois o seu aparelho psíquico também evoluiu e a protege de lidar com aquilo que a incomoda.

Normalmente as necessidades relacionadas às questões emocionais geram comportamentos de insegurança, ansiedade e medo. Então é comum uma criança que dormia sozinha a noite toda em seu quarto, começar a solicitar a presença de um adulto para que consiga dormir, ou pode começar a roer unha, ou a ter medo de animais que antes não tinha. Esses comportamentos são pedidos de ajuda por questões emocionais: pode ser uma carência por falta de atenção, uma insegurança relacionada a não se sentir pertencente à família ou a um grupo social, ou uma necessidade de agradar demais os outros.

Se você perguntar para uma criança porque que está roendo unha, ela primeiramente te dará um tanto de justificativas, várias convincentes. E aí os pais e cuidadores começam a fazer de tudo para eliminar esse comportamento, segundo a sua forma de educar, utilizando, por exemplo, castigos e punições. Eles podem conseguir banir o comportamento ruim, mas não resolverão a causa dele, pois nem a criança tem consciência da causa do ato. E não é na intenção de omitir, mentir, “malandragem”, é porque ela realmente não sabe. Ela está sobre o efeito protetivo do seu aparelho psíquico. 

Portanto, se seu filho apresentar algum comportamento que você ainda não consegue identificar o que há por trás dele, não menospreze nem ignore. Acolha, dê apoio, ajude-o a externalizar o que está sentindo, valide e nomeie cada sentimento. E caso não consiga, procure uma ajuda profissional.