Foto Patrícia de Sá

Tudo começa quando estamos permeados de desafios com a criança e percebemos que atuar nesses desafios de maneira punitiva ou com permissividade não nos ajuda muito. Algo dentro de nós se incomoda. Nosso coração pede por outras estratégias. Até que começamos a procurar na internet, ou alguém posta ou compartilha algum texto, algum vídeo no grupo de whatsapp. “Opa! Isso faz sentido pra mim”.

É assim que a Disciplina Positiva geralmente começa a funcionar na gente, como um burburinho no coração. E a partir daí, pronto, estamos com as portas da nossa casa abertas para ela. Começamos a desconstruir conceitos e padrões. Começamos a experimentar as técnicas e ferramentas e tudo faz muito sentido.

Porém, voltando na ideia de estar em exercício, um exercício nunca está no seu plano final. Devemos sempre estar nos aprimorando e nos observando. Não estamos em direção a um plano perfeito. Estamos em exercício. Nós como humanos, nós como adultos, eles como crianças. Estamos todos num grande exercício conjunto de autoconhecimento e gestão emocional.

Por isso a Disciplina Positiva funciona. Porque ela é literalmente o exercício de diariamente entrar em contato com a gente mesmo e com as crianças.

Isso resolve todos os nossos desafios com a criança? É claro que não. Isso transforma a criança em um ser sempre obediente, atento, tranquilo, educado, respeitoso, amoroso, feliz (leia-se em entrelinhas: perfeito)? Não mesmo!
Aplicar a Disciplina Positiva nos transforma individualmente. E isso vem em primeiro lugar. Logo depois transforma a nossa relação com a criança e ainda traz consequências positivas no comportamento da criança.
Estamos falando de uma grande oportunidade diária de usar cada desafio com a criança para nos aprofundar. Posturas como a Punição e a Permissividade nos impedem de lidar com os desafios. A Punição porque está preocupada em eliminar os desafios e os maus comportamentos. A Permissividade porque está distante emocionalmente deles.

Mesmo depois de estar em exercício da Disciplina Positiva, corremos o risco de usar Punição e Permissividade? Muitas vezes sim. Somos humanos. Estamos sujeitos a nos prender a antigos padrões de vez em quando. A grande diferença é que agora estamos conscientes de tudo isso e não temos mais a Punição e a Permissividade como única opção. Elas são as sobras do nosso antigo “eu”. Elas são os restos do que ainda está incrustado em nós e precisa mesmo de tempo para nos deixar. E tudo bem, faz parte do processo, faz parte do exercício de “funcionar”.

Disciplina Positiva funciona porque através dela estamos em cada momento com a criança, buscando nos conectar, buscando oferecer uma relação diferente, mais amorosa, mais consciente, mais madura, mais profunda. Só o fato de desejar isso, já significa que está funcionando.

Ela funciona porque não se propõe a eliminar desafios (e quem entra de cabeça nessa educação respeitosa e amorosa sabe que cessar desafios, birras, e comportamentos inadequados sem uma reflexão sobre o que está por debaixo de tudo isso é um caminho pobre e sem sentido), ao contrário, a Disciplina Positiva propõe que usemos os desafios diários para ensinar habilidades de vida, para nos conectar, para criar vínculo, segurança, confiança na relação com os filhos.

Não invalide suas conquistas, mudanças e transformações quando o comportamento da criança não atingir sua expectativa. Não invalide as conquistas, mudanças e transformações da criança quando o seu comportamento não atingir as expectativas dela.

Acredite! Quando você decide mudar, já está funcionando.


Isto faz sentido para você? Quer se aprofundar mais sobre o assunto? Conheça as rodas do Entre Nós sobre o tema, clique aqui. O nosso próximo encontro será em 21/06/18, às 19h, na Ora Bolinhas, com a Mariana Lacerda. Inscreva-se ♥︎