Autor: Dr. Daniel Becker (Pediatria Integral)

Alguns lembretes, num momento em que a quarentena já vem sendo quebrada em tantas cidades, podem ser muito úteis para reduzir o contágio e proteger não apenas os que têm maior risco de gravidade, mas o nosso próprio senso de comunidade, tão precário em nossa cultura.

1º: não acabou. Tem muita gente contraindo a doença, tem muita gente morrendo. Proteja-se, proteja os outros.

2º: distanciamento social – quanto mais longe melhor. Estudos demonstram: dois metros é melhor que um metro. Mais que três metros faz pouca diferença.

3º: USE MÁSCARA! Não importa se você é jovem, tenha um mínimo de cuidado por quem precisa de segurança. Seja humano, “civil”, solidário. Quem não usa está sendo um membro irresponsável da sociedade. Só podemos ser livres e felizes se tivermos um mínimo de senso de comunidade, de cuidado com o outro.
Sobre máscaras: as multicamadas são muito mais protetoras do que máscaras de camada única. Uma máscara de pano bem projetada deve ter várias camadas e bom ajuste facial: o uso de arames para fazer um “clip” nasal é importante. Não adianta sair por aí com uma máscara toda frouxa, abaixo do nariz, na testa ou no pescoço.

4º: mesmo as máscaras cirúrgicas não são herméticas o suficiente para criar uma barreira totalmente eficaz, especialmente se houver de fato transmissão por aerossol. A melhor defesa para isso é o AR LIVRE. Voltamos à nossa bandeira: do lado de fora é melhor! Isso vale para os futuros encontros entre crianças, famílias e amigos em geral. Quanto mais aberto, mais vento, melhor.
Quer um lugar de alto risco? Dentro de bares e restaurantes. Você vai ficar num ambiente fechado. O barulho vai fazer você e outros falarem mais alto, e por isso transmitir mais. E você vai tirar a máscara para beber e comer.

5º: protetores ou escudos faciais (face shields) podem, sim, acrescentar alguma proteção. Mas somente se usados juntamente com uma boa máscara.

6º: as medidas de higiene seguem sendo necessárias – etiqueta respiratória (espirrar no cotovelo, falar baixo), lavagem frequente de mãos, limpeza de superfícies, etc.