Foto: Duorama

Em 2020 o Na pracinha completou 8 anos. Um ano atípico para todos, e que colocou as ações dessa praça em suspensão. O distanciamento físico não permitiu que nos juntássemos para brincar. Um tempo sem encontros. A saudade deu tom aos dias que passaram. Ciranda, ler história ao pé da árvore, afetos, brincar junto, encontros na pracinha – ausências sentidas.

“Oi, eu sou a saudade! tem gente que acha que sou gêmea da tristeza, alguns até pensam que somos univitelinas. Mas posso lhe assegurar que somos apenas vizinhas, amigas, feitas do mesmo sabor agridoce, mas há muito o que me difere dela. Eu quis entrar justamente porque vi em você um tanto de mim. Você me permite entrar? Eu sou uma espiral do tempo. Através de mim, você viaja a outras vidas que já viveu nesta vida”, poetiza Alexandre Coimbra Amaral.  “É quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue”, contou Adriana Falcão pra facilitar o entendimento das crianças (pequenas e grandes).

A tela se tornou ponte provisória para nossos afetos. No instagram mantivemos conversas que foram farol. Ter uma comunidade junto da gente é valioso para quem acredita na infância como semente para o futuro – obrigada por me acompanhar.  

2021 chega trazendo uma nova palavra – Esperançar – que aprendi com o professor Paulo Freire: “é preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir. Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” 

Sigamos então botando reparo no cotidiano, colecionando sementes, cultivando afetos, buscando lampejos para alumbrar os dias. 

Que tenhamos saúde, vacina e mãos dadas em ciranda. 
Te cuida. Cuida de alguém.
Flávia