Clareira Fotografia

Por que o movimento é tão difícil para nós enquanto adultos lidarmos? Por que o erro deve ser combatido a qualquer preço? Por que a queda mexe direto com a tal da culpa?

Vamos encapsulando, silenciando, parando a expressão da criança no intuito de proteger. Uma proteção que mata parte de quem ela é e da fase que está – a expressão e descoberta do mundo pelo corpo. É por ele que tudo acontece, que tudo é absorvido, que tudo é sentido e expressado. 

Na ânsia da proteção deixamos a grande oportunidade da criança lidar com as perdas, as quedas, os machucados, as dores, os riscos. Ela não pergunta a si mesma se consegue, perguntam para nós se ela pode. 

Tiramos a autonomia da comunicação consigo mesma e criamos uma barreira externa chamada – nosso medo. Quando há liberdade, há a possibilidade de descobrir e explorar o mundo e não de ser protegidos dele. O mundo vira um convite. 

Sejamos cada mais mais conscientes do que precisa ser trabalhado em nós enquanto adultos – nossa dificuldade em lidar com o erro, nossa imensa vontade de agradar a todos, no nosso desejo de controle. 

As punições que recebemos quando erramos não precisam ser perpetuadas – sejam elas intelectuais ou físicas que começam com vozes externas e vira a nossa voz interna, não é mesmo?  Elas podem ser ressignificadas todos os dias quando temos a possibilidade de conviver com uma criança, que ainda não foi quebrada pra caber em um lugar de expectativas do outro. 

Sejamos pouso, não gaiola.