Um adulto e uma criança empilham blocos de madeira sob uma mesa construindo uma sequência
Tanto Mar Fotografia

Na minha casa tinha uma coleção de fascículos de uma enciclopédia que meu pai comprava junto com o jornal aos domingos. Era ali que eu criança encontrava algumas respostas às minhas perguntas, que não eram poucas. Muitas vezes, ao questionar “porquês” aos adultos, ouvia “por que é assim que as coisas são”. As dúvidas continuavam pipocando na cabeça.

A curiosidade é inata às crianças, uma motivação interna para as descobertas. As perguntas que os pequenos nos fazem surgem a partir de suas vivências. É uma necessidade humana compreender o mundo, a realidade em sua volta. A pesquisadora canadense Catherine L’Ecuyer, no livro “Educar na Curiosidade – a Criança como protagonista da sua Educação”, enfatiza a importância do assombro na infância (e pela vida toda): “Quando são pequenas, as crianças mexem em tudo, querem saber tudo. Estão sempre a perguntar coisas impossíveis, como a razão de as abelhas produzirem mel em vez de doce de leite, por ser essa a sua forma de se maravilharem com uma realidade que é assim, mas poderia ser diferente. Uma criança não é um adulto em miniatura. Temos de lhe respeitar a inocência, os silêncios. O seu sentido de mistério e beleza.”

Colaborando com o interesse

A explicação para uma criança deve partir do mundo que ela conhece, respeitando a sua capacidade de abstração. Para começo de conversa, precisamos estar abertos e disponíveis para ouvi-la. Quando nos questiona, espera por uma escuta atenta – olhos e ouvidos – e que haja respostas.

“A curiosidade é um impulso para aprender”, defendia Maria Montessori. As perguntas podem ser oportunidade para um aprendizado mútuo. Se desconhecemos a solução, o diálogo abre espaço para honestidade na relação (ninguém sabe mais do ninguém, sabemos coisas diferentes, e tudo bem) e uma proposta para buscar, pesquisar junto.

Podemos conduzir a conversa para que a criança seja protagonista da conquista, do entendimento, sem entregar a ela uma resposta pronta. A coordenadora pedagógica geral do Colégio Sagrado Coração de Maria, Daniela Afonso Chaves, aconselha: “normalmente nossa reação é a resposta direta àquilo que a criança questionou. No entanto, corremos o risco de criar dependência, desestimular a criatividade, além da possibilidade de respondermos questões aquém ou além daquilo que está sendo perguntado. Responder com outra pergunta auxilia na reflexão da criança sobre o tema, a empodera à medida que se sente responsável pelo seu próprio conhecimento, além de auxiliar o adulto a perceber até onde a criança já sabe sobre. Por exemplo, quando a criança questiona ‘mãe, por que as abelhas fazem mel?’, podemos responder “nossa, que pergunta interessante! O que você já sabe sobre as abelhas? Será que outros animais também produzem mel? Que tal pesquisarmos e descobrirmos juntos?”. Conceda espaço e tempo para que ela pense a respeito de suas curiosidades, em seu ritmo próprio.

Não julgue ou critique as perguntas dos pequenos. Devemos fomentá-las sempre para que mantenham o espírito curioso por toda a vida. Uma atitude ativa, caminho para a construção de um pensar livre e autônomo.


Transformando informação em conhecimento

A informação se transforma em conhecimento quando a criança percebe significado naquilo que está aprendendo. Para estimular a criatividade e o protagonismo, é primordial pensar na experiência que está sendo proporcionada. Partir do interesse da criança por aprender, e envolvê-la em um ambiente que respeite o ritmo, o tempo e o espaço, a liberdade e as necessidades de silêncio, mistério/assombro e natureza. Lembrando sempre que o que fazemos, como olhamos para o mundo, o cotidiano e seus encantos, faz mais sentido para a criança do que o que dizemos que deve fazer.

“Sermos adultos competitivos faz-nos sujeitar as crianças a estímulos de tal forma intensos que lhes anulam a capacidade de se automotivarem. Muitas tornam-se entediadas, incapazes de se deixarem assombrar pelo que quer que seja.”
Catherine L’Ecuyer.

Conteúdo editorial criado pelo Na pracinha em parceria
com a Rede SagradoBH .

A escola promove uma caça ao tesouro divertida em que as crianças curiosas (re)descobrem os espaços pedagógicos. Brinque aqui .

rodapé com a logo do Colégio Sagrado Coração de Maria