Uma menina decora uma casinha feita com caixa de papelão
Foto: Patrícia de Sá Machado

Você já viu essa cena, a criança deixa o brinquedo de lado para brincar com a caixa. Nós, adultos, entramos em ação: “cuidado com a sujeira, tenha cuidado com tesoura, não faça bagunça…”

Muito se fala sobre a importância do livre brincar na infância – aquela brincadeira natural, sem direcionamentos ou regras. A brincadeira que se desenvolve a partir da criação da criança, da sua fantasia, da sua visão do mundo, que ela imagina conforme suas experiências. 

Especialistas apontam que o brincar espontâneo incentiva o potencial criativo dos pequenos, fortalece a autoestima, a coragem, a resiliência. Através dele, a criança socializa, interagindo com o meio e com outras crianças, exercitando virtudes como a empatia, o respeito, a ética e a coletividade. Ao explorar o ambiente, principalmente ao ar livre, a criança potencializa todos os seus sentidos, desenvolve o equilíbrio, a força, a destreza, a motricidade. 

Mas por que, para os adultos, é tão difícil permitir a liberdade? É que, apesar de muitas vezes reconhecermos sua importância, falta-nos tempo, sobram estímulos (são tantas telas!), os brinquedos passivos e industrializados ocupam espaço, além de haver um excesso de atividades especializadas que parecem roubar o tempo destinado à brincadeira. Por isso, é tão urgente e necessário que nós permitamos que a criança simplesmente brinque. 

Brincar exige tempo. Os momentos de ócio são necessários para que a criança decida como, com o quê e quando quer brincar. Lembra-se das suas brincadeiras preferidas na infância? Possivelmente, muitas surgiram a partir do “não ter nada para fazer”. Tempo livre não é tempo perdido – o tédio é uma oportunidade de escuta interna que ajuda a despertar a imaginação.

Não há necessidade de direcionar o brincar. Mas, podemos dar uma mãozinha, preparando um ambiente de brincadeira. Apresentar recursos, permitir o uso de elementos não estruturados (como caixas, papéis, folhas, sementes, galhos), e, por vezes, mostrar novas ideias, a fim de se iniciar uma linha condutora da imaginação, que será levada pelas crianças sabe-se lá para que reino ou planeta distante.

O mundo precisa de adultos com boas ideias. Certamente eles vão surgir, com mais facilidade, de pessoas que estimulam, desde sempre, a sua criatividade. Por isso, deixe as crianças brincarem.

“Olhar uma criança brincar é reaprender a dimensão do humano.”
Maria Amelia Pinho Pereira (Péo), pedagoga

Duas crianças - um menino e uma menina - brincam de acampamento em uma casinha de papelão feita e decorada por eles
Foto: Patrícia de Sá Fotografia

〰️ este conteúdo faz parte da série sobre o brincar em tempos de isolamento 〰️