Duas meninas brincam em uma sala vestidas com saias de tule. O corte da imagem é na altura dos joelhos.
Foto: Tanto Mar Fotografia

“Minhas aventuras com tempo não se limitam a rejeição do relógio, sendo antes adoção de um ritmo mais suave no meu modo de solver o mundo.” Roman Krznaric

Sentimos que não temos tempo suficiente para tudo ao longo de um dia. Nossa cultura nos encoraja a fazer mais e mais coisas. Dar atenção às crianças da forma que merecem requer tempo, cuidado e presença. Em tempos de isolamento físico e social, se faz ainda mais urgente acolher com afeto as crianças em cuidado à saúde mental. Cada momento tem valor. Proponho algumas ideias para seguirmos com calma – e prazer – nas relações cotidianas com os pequenos.

(E aqui uma pausa para dizer que esse é um recorte – só um jeito de caminhar entre tantos percursos. Sinto que é importante pontuar isso, porque diante de tantos desafios que temos enfrentado, nem sempre é possível colocarmos desejos em prática. Mas, por outro lado, eu acredito cada vez mais, que é na convivência diária, entre as miudezas, trocas e os brincares que estão os alicerces para uma infância plena. )

– Pense em sua rotina reservando tempo para brincar junto. Se você trabalha em casa, planeje pausas ao longo do dia. Se seu trabalho é fora, avalie o melhor horário possível para o tempo junto.

– Quando a brincadeira começar, desligue – de verdade – o celular, e também a TV. Permita-se entrar no espaço e estar inteiro (tempo de qualidade).

– Não interfira no faz de conta de forma a moldar comportamentos ou respostas esperadas. Se você conduz a brincadeira, não se faz diálogo. Deixe a criança se sujar, testar os limites, fugir do convencional, mudar a rotina, bagunçar. Muitas vezes, podamos o potencial criativo por insistir no nosso jeito de fazer as coisas. Não há nada que não possa ser limpo e organizado outra vez.

– Envolva a criança em tarefas cotidianas para participar junto com você: varrer a casa, passar pano no chão, lavar a louça, colocar a mesa, arrumar as camas, espanar os móveis – tudo é motivo de brincadeira, ainda que não seja realizado com tanto primor.

– O ensino remoto trouxe oportunidade para que possamos experienciar aprendizados juntos. Trilhar esse caminho com presença, escuta atenta e interessada, é forma de cuidar da infância e validar os sentimentos de nossas crianças.

– Troque a tela pela brincadeira. A criança se entretém por 10 minutos e depois se desencanta, pois a tela não interaje com ela. Já temos um excesso por conta do contexto que temos vivido atualmente, então, quanto menos, melhor (veja aqui as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria).

– Reforce sempre o seu sentir por estarem juntos, de forma simples e direta: “estou muito feliz por estar passando esse tempo com você, meu filho”, ou “uma das minhas horas preferidas do dia é quando sentamos para brincar aqui na sala, você sabia?”, ou ainda: “eu adoro vir ao parque com você, devemos fazer isso sempre. Você também gosta?” 

– Quando for possível, respeitando as medidas de segurança sanitária, brinque lá fora com cuidado e responsabilidade. Dar uma volta de 15 minutos no quarteirão com a criança, tem valor. Deixá-la brincar com a pedrinha do canteiro da árvore da calçada já é bom também. Qualquer experiência ao ar livre, na natureza, independentemente se for num parque, se for de 6 minutos ou de 2 horas, é válida. Então, o que a gente consegue, devemos oferecer. E, se não consegue muito, fique feliz de oferecer um pouquinho. Já é um esforço meritório.

 〰️ este conteúdo faz parte da série sobre o brincar em tempos de isolamento 〰️

Conteúdo editorial criado pelo Na pracinha em parceria com 
Rede Sagrado BH.