foto de uma criança negra sentada no chão da praça observando o espaço. em primeiro plano, um gari fazendo a limpeza.
Tanto Mar Fotografia

Texto gentilmente cedido por Laís Gouvea –  fotógrafa, mãe – para o Na pracinha. As fotos-afeto do pequeno Mateus, filho de Marcela, pelo olhar da Laís – @tantomarfotografia

Ver de quem são os braços que mantém a cidade limpa, sentir o calor do sol, a fresca na sombra da árvore. Fazer um melhor amigo que dura um dia, brincar com o cachorro de outro alguém. Catar semente, graveto, flor. Sentir-se pertencente, cumprimentar o padeiro, o porteiro. Aprender a dinâmica do espaço urbano apenas vivendo. Viver os reflexos do ser humano no lugar que ele vive, onde as qualidades e os defeitos são todos criados por nós mesmos. Lidar com quem é diferente da gente, esperar a vez pra ir no balanço. Ver que famílias podem ter outros padrões, que existem diferentes formas de amar. Aprendizado não vem só da escola, estímulo não precisa vir do brinquedo caro, natureza pode estar em pequenas coisas do dia a dia. Deixem as crianças viverem a cidade, sem pressa, sem discursos. Deixa o aprendizado ser consequência. A cidade melhora com a criança e a criança melhora quando vive a cidade.

Foto de uma criança negra observando um cachorro em uma praça
Tanto Mar Fotografia