uma criança de perfil olha curiosa para algo vestida com um body branco. rosto e roupa "sujos" de alimento.

Texto gentilmente cedido por Rosane Castilhos –  mãe, artista plástica e Educadora Parental (instagram.com/rosanecastilhos) – para o Na pracinha 

A gente cresce e esquece de aprendizados fundamentais. Talvez seja essa a função dos filhos (das crianças) na nossa vida: nos lembrar do que de verdade importa. Olho para essa foto e lembro desse dia com detalhes, o filho completamente sujo, uma mistura de lá fora com comidinha, eu o chamava pra tomar um banho e ele nem ligava, a “sujeirada” toda incomodava a mim, ele não se importava com ela, queria mais era brincar, olhar e ouvir a música que rolava na TV. 
Eu o chamava para o banho, ele sorria. Eu fiquei mais atenta ao seu sorriso do que a sua roupa e enxerguei o que ele me falava: mãe, eu estou bem, eu quero ficar aqui e assim, contigo, com a música, com essa roupa suja, com a cara melecada, tudo isso mãe é o que importa agora, o banho fica pra mais tarde, depois da vida agora, olha pra mim, pra minha alegria, olha a covinha que surge na minha bochecha quando eu dou um sorriso, esquece a roupa e o a cara limpa, isso é o que menos interessa agora. Me vê, eu estou feliz, vem, fica. 
Fiquei com ele, escutamos a música, dançamos. 
Depois fui pegar a máquina fotográfica com o desejo de registrar aquele momento pra no futuro lembrar de não esquecer. Talvez eu tenha esquecido, tira o talvez, eu esqueci muitas vezes. Corri sem necessidade, eu alcançaria as mesmas coisas apenas caminhando, me perdi nas inutilidades da pressa. Mas também me dou conta, olho para os meus filhos, que ainda hoje me guiam e me mostram outro rumo, sinto, percebo e reparo que nem tudo precisa ser resolvido, que resolver, as vezes, é perder tempo, o que parece “incorreto” na verdade, é o mais lindo que as horas, os dias, que a vida te dá. 
A gente foi ensinado a solucionar as questões, a resolver os problemas, isso é maravilhoso, a questão é que nem tudo o que nos parece um problema de fato é, muitas vezes é só a vida seguindo caminhos. E mais: o que nos aparenta ser um problema, para o outro pode não ser, é a alteridade dando as caras!